Da memória para alguém In memoriam

  Março/2016

Essa é uma história a qual eu não gostaria de ter escrito. Não pela dificuldade do tema ou a falta de acesso a ele, mas pela minha covardia – e de quase toda população em abordá-lo. Juro que se tivesse que escolhê-lo, seria minha última opção. Mas, há situações em que a vida nos peita e joga suas verdades e consequências – como um jogo infantil que costumávamos a brincar há uns anos. Só que com regras diferentes: sem a garrafa e sem diversão.

Neste texto, entre espaços e letras, verbos e advérbios, numerais e pronomes, além de todas as possibilidades que a Língua Mãe me permite, conto uma história de luto. Uma história de dor e pesar que sabemos bem, mas custamos a aceitar. Porque doí. Porque machuca. Porque não entendemos. Porque não queremos.

No dia 23 de março, uma amiga muito próxima e de grande consideração relatou que seu tio, irmão da sua mãe, sofrera um acidente de carro. Resumidamente, Antônio Silvano Lemos, 44, tinha ido levar sua namorada, Karen Alves, 24, a sua casa, em Itaquaquecetuba – Região do Alto Tietê, São Paulo – e, na volta para Zona Norte, na rodovia Ayrton Senna, perdeu o controle do carro e colidiu nas valetas da pista.

Segundo informações da família, Antônio saiu consciente do carro e pediu que entrassem em contato com a mulher que conviveu por 20 anos e teve dois filhos, sua ex, Joelma Medeiros, 37. Foi encaminhado com urgência ao Hospital Público Municipal do Ermelino Matarazzo, para que fizessem os procedimentos médicos de recuperação. A internação. A indução ao coma. A alta dosagem de medicamentos e a transferência ao Hospital Nove de Julho, na Bela Vista.

Próximo à Paulista, próximo ao palco de manifestação verde-amarelo, ao pato da Fiesp, às buzinas, a emissão de monóxido de carbono e a “bateção” de panelas, Silvano estava internado. Passara por algumas cirurgias, teve parte do seu intestino retirado, intercalava entre melhoras de alguns termos e pioras de outros até que seus órgãos resolveram parar de vez – como se os músicos de uma orquestra resolvessem abandonar seus instrumentos, mesmo com ordens e tentativas do maestro em fazê-los tocar. Tudo isso em menos de uma semana. Tudo isso em meio a expectativa de um público que esperava por espetáculo e não uma tragédia.

Quando meu celular tocou, na segunda-feira, do dia 28 de março, meu coração pressentiu algo errado. Estava em minha mesa de trabalho, a mesma mesa a qual começo a traçar os primeiros caminhos deste texto, e vi a ligação perdida. Era Gabriela, minha amiga. A amiga que não me ligaria no horário do expediente, só se algo de muito sério tivesse ocorrido. A amiga que tinha um tio de grande consideração internado. A amiga que precisava de mim naquele momento.

Tentei retornar várias vezes, mas a caixa postal era o único elo entre nós. Utilizei o aplicativo de mensagem, contatei outras amigas do nosso ciclo e nada. Até que, depois de muita insistência, recebo seu “alô” misturado com lágrimas que quase me encharcaram do outro lado da linha.

Eu sei que qualquer tipo de pergunta seria inútil e descabeçado da minha parte. Mas, por mais que saibamos a resposta, por mais que não queiramos que ela se confirme, dei o primeiro passo em nossa conversa. “Gabi? Está tudo bem?”. A resposta? Nem o pior adivinha deixaria de acertar.

A reflexão

Naquele dia não fui à aula. Não tinha cabeça. Não era uma pessoa da minha família que tinha acabado de ir, mas a perda de alguém de forma repentina é ainda mais estranho, e minha sensibilidade não digeriu isso muito bem – como se fosse possível.

Explico meu raciocínio no seguinte período: quando uma pessoa está com uma doença, a gente se prepara para uma despedida. Mesmo não querendo, mesmo indagando Deus e o mundo, mesmo com uma ponta de esperança. Entretanto, quando o episódio é repentino, é como se um ladrão viesse e roubasse um dos seus tesouros mais preciosos. Aquele que você tinha planos e planos. Aquele que você tinha certeza que estaria amanhã bem diante dos seus olhos. Aquele que estaria disponível sempre que você precisasse.

Cheguei a minha casa e fui direto ao meu quarto. É engraçado como este tipo de ambiente tem um quê de acolhimento e reconforto. Não falo isso pela disposição dos móveis, a cama quentinha que me abraça toda noite e todos meus pertences. Mas, para mim, o espaço designado como seu sempre será um templo. E todo templo oferece renovação a quem o procura.

Em meu ritual solitário, naquilo que denomino “pensar na vida”, ouvi diversas músicas. Uma em especial me chamou atenção de como se encaixava perfeitamente naquele momento que a vida nos tinha oferecido viver. Crisântemo, do rapper Emicida, fala sobre a perda do seu pai, descrevendo o episódio de uma forma poética e até que bonita, afinal, a morte também inspira. Sua mãe, dona Jacira, participa como participou da história há alguns anos – e finaliza, nos deixando com um nó na garganta: “como pode alguém morrer no mesmo dia que nasceu?”.

Essa frase de nove palavras caiu como uma luva. A triste coincidência fazia parte, agora, da vida da família da minha amiga. Seu tio sofreu o acidente de carro quase uma semana antes de sua morte. Sua despedida se fez no mesmo dia em que comemorariam seu nascimento. Inexplicável? Sim. Mas aconteceu como Deus desenhou.

O último adeus

Não conheço nenhuma pessoa no mundo que seja fã de cemitério – talvez a análise do meu universo esteja viciada. Eu mesma evito ao máximo passar por esse tipo de ambiente. Seu significado é bonito, confesso. A melancolia sempre tem um quê de beleza e a arquitetura de alguns, inspirada nesse sentimento, é magnífica. Mas pensar em histórias que estão enterradas e viraram pó tem um ar de perturbação.

O cemitério do Jaraguá é diferente de qualquer coisa que já fui. A família da minha amiga comprou uma parte daquele espaço para enterrar os “Alves de Lemos”. Esperava chegar lá e me deparar com os que eu tive contato, ou seja, túmulos com esculturas, fotos, flores, velas… Até minha imaginação ter sido traída pelo fato em si: wifi, sala de espera com sofás confortáveis – utilizado para rascunhar a matéria da prova que fiz no dia -, televisão led no canal da Globo, cantina com lanches extremamente caros – parece até na morte o capitalismo quer tirar vantagem -, guarda-chuvas e cadeiras de roda disponíveis a quem precisasse, borboletas e até um tipo de esquilo que nos distraiu, lápides padronizadas, apenas com inscrição do nome, da data do nascimento e do falecimento.

Há coisas imutáveis. O luto e a dor da perda de alguém é uma dessas. Cheguei e me surpreendi com minha amiga aos prantos, em um dos bancos disponibilizados fora da capelinha, onde seu tio era velado. A única coisa que pude fazer naquele momento era me compadecer e oferecer um abraço. Assim fiz. Falar algo seria inútil demais, mas arrisquei um “estou aqui, não se esqueça, seja forte, amo você”.

A reunião das pessoas em volta do caixão me comovia. Principalmente, quando me deparei com a cena da namorada chorando copiosamente, ao acariciar o corpo morto a distâncias de mim. Pensei nos planos feitos, mesmo não tendo conhecimento de nenhum, e fiquei estremecida. A ex-mulher também estava abalada. Imagina ter que criar dois filhos, um de quinze e uma menina de cinco, sem a figura paterna? Perder o pai é doloroso. Na infância e adolescência é perder uma das bases mais importantes para construção social e de vida.

Não me dirigi ao Silvano em matéria. Apenas o observei de muito longe. Comentários diziam “ele está inchado”, “machucado”… Não quis ver. Sou fraca para esse tipo de coisa, confesso. Preferi deixar em minha memória sua expressão viva e sorridente que conheci. Abracei os que eu conhecia, participei da missa feita por um Padre íntimo da família e até perdi as contas de quantas vezes repeti os versos de “Ave Maria” – a qual eu não conheço muito bem, por nunca ter frequentado e ter feito parte dos preceitos católicos, apesar da família do meu pai ser extremamente fiel a essa religião.

O tempo entre o fechar do caixão e a ida ao jazigo foi interminável. O calor que antes era companhia, ainda fazia presença. Era uma mistura de lágrimas, cheiro de flores e suor, naquele ambiente abafado que se tornava ainda mais abafado e sufocante pela quantidade de pessoas que ali se despediam. O tio da Gabi era um cara querido, isso era incontestável.

O céu que no começo do dia era azul, com sol a pino, fora substituído por nuvens escuras e pingos e mais pingos de chuvas – como numa produção cinematográfica. Parecia que de lá de cima alguém chorava e quis se despedir, ou acolher aquele que partira, ou estava a chegar. Os guarda-chuvas, da cor da grama que cobria os corpos ali enterrados, foram distribuídos aos participantes daquele ritual. Dividi o meu com uma amiga, e nossa diferença de tamanho a fez ser responsável por nossa “proteção”.

Quase cinco minutos depois, nos reunimos em torno daquele pedaço do terreno já preparado para receber o corpo de Antônio Lemos. Um amigo próximo, frequentador da mesma academia, falou algumas coisas sobre a perda repentina e a importância de se apegar a Jesus, com objetivo de salvação, independente da crença de cada um, segundo ele. Alguns parentes evangélicos entoaram um “aleluia” e “glória Deus”. Eu apenas observei calada.

Logo depois, os coveiros começaram o trabalho de organizar o caixão dentro daquele espaço que pode abrigar mais três, em uma organização que não quis conhecer. Silvano iria fazer companhia ao pai, enterrado desde 2009, mas os corpos sem alma não dialogariam. Não naquele plano – talvez em outro, quem sabe. Cada crença faz suas apostas,  e isso é assunto para outro texto.

Em cada pá com cimento, terra e água distribuídas em cima daquela vala, choros e palmas eram entoados. Uns mais descompassados, e outros com mais fervor, porém a emoção era evidente e combustível para última homenagem. Uma lágrima escorreu dos meus olhos sem que eu percebesse. Passei a mão no meu rosto de vinte e um anos de idade e segui para o carro.

A situação era inacreditável. Um pesadelo para todas testemunhas. Um sonho perturbador que João Pestana, o guardião do sono e dos sonhos, deixou passar, sem querer. Antônio Silvano Lemos se foi. Mas ao contrário de Brás Cubas, personagem de Machado de Assis, deixou um legado de nossa miséria aos seus. E a vida se manteve para os que ficaram. Porque ela é assim mesmo, só um detalhe. “É tudo, é nada, é um jogo que mata, é uma cilada… A vida é só um detalhe ¹”.

Nota: ¹ Crisântemo – Emicida, 2013.

Entre bailados, parcerias e canções

à dona Conceição, onde estiver, te amo.

Entre o fim da década de 1990 e o começo da década de 2000, eu era uma criança bem peralta. Entre minhas companhias, a melhor de todas, era uma senhorazinha de aproximadamente 60 anos. Ela não era alta e nem baixa,mas tinha um tamanho que me encaixava nos seus abraços e que, para mim, era a melhor coisa do mundo.

Essa minha amiguinha, tinha uma personalidade muito forte. E um gosto bem peculiar. Se há algo que me marca, é o aparelho televisor que transmitia imagens em preto e branco, mesmo no início do milênio da “modernidade”. E um “radiozinho” que tocava CD e disco de vinil.

De nossas interações regadas com chá de maçã e gengibre, em dias de frio, ou suco de limão, quando o sol estava a pino, sempre existia uma trilha sonora para embalar nossa amizade. Viajávamos do sertanejo de raiz a “ursinho pimpão” – de uma das três loiras que fizeram parte da minha infância. Também tínhamos gosto por músicas da igreja, ou, qualquer coisa relativa. Não importava o estilo. Tudo era apreciado e dividido.

Essa mocinha também tinha um quê de bailarina. Jamais frequentara uma sala de dança e nem tinha ideia do que as pessoas tanto chamavam de plié, arabesque ou relevé, mas eu a considerava a melhor pessoa para encenar um pas de deux.

Nós duas, juntas, rodopiávamos e bailávamos como se a vida fosse um palco esperando pelo nosso espetáculo. E, para isso, nos produzíamos de maneira a realçar a beleza dada pela natureza e herdada por algo que, no mundo dos adultos, se chama “genética”.

Enquanto ela tentava esconder uma marquinha do tempo, eu estava lá penteando seus cabelos escorridos de tão lisos. Não existia grampo mais potente que pudesse parar todo movimento que ela causava. Tanto na cabeleira, quanto em mim.

A minha pequena-grande-bailarina tinha postura e poder de interpretação. Cada vez que ensaiava um passo e me conduzia o sorriso, auxiliado por uma prótese dentária, mostrava que não importava o tempo destinado ao bailado, a nossa missão era se divertir. Eu, criança de tudo, costumava rir do seu jeito bobo e alegre de me levar pra um lado e para o outro, como se eu fosse aquelas bonecas de pano jogadas em uma mala quando o show acaba. E, no final, sempre me orgulhava após constatar que ela também adorava ser minha condutora.

A dona dessa compostura também me apresentou a um universo chamado livros. Por causa dela, pude despertar um desejo um quanto ambicioso e caro: ter uma biblioteca. Em sua pequena casinha não encontrávamos espaço para um plano arquitetônico tão cheio de audácia, mas entre as prateleiras do guarda-roupa e, as gavetas da cômoda, um curioso podia se deparar com pilhas e pilhas de papéis encadernados.

Essa senhora ainda escrevia. Engana-se quem pensa  que ela frequentou mesas da academia. Seu conhecimento foi adquirido a partir da vida, a partir daquilo que quis aprender, com muito gosto e primor. Pela falta de treino, algumas palavras apresentavam um errinho ali, outro acolá. Mas, seu poder de comunicação era imbatível. Arrisco dizer que era poético. Digno de um conto saramaguiano.

A bonita ainda colecionava. De fotos a toalhas de mesa feitas em 1950. A capacidade que tinha para juntar cacarecos era admirável. Ninguém na face da terra poderá superar essa mulher neste quesito. E foi por isso que eu descobri tesouros dentro de uma casa de três cômodos.

Como todas as histórias bonitas, encontradas em contos de fadas, a bailarina, escritora, dançarina, cantora e colecionadora precisou se apresentar em outro lugar. E eu, ainda criança de tudo, fiquei. Fiquei com os pertences, com a TV preta e branca e com seus retratos. Fiquei com as toalhas de mesa e com os discos velhos. Tentei aprender um pouquinho de ballet, tentei adquirir gosto pelos livros e tentei admirar a cultura sertaneja com outros olhos. Graças a ela, consegui.

Com o ballet entendi que, nem sempre, a gente vai ter um par para dança. Porém, podemos transformar a presença de alguém em guia e fazer da vida o nosso palco. Porque, essa senhora a qual apelidei de avó a vida inteira, sempre será minha “companheirinha”, meu ursinho pimpão. E nossa canção sempre será bonita, assim como nossa parceria foi, durante poucos e inesquecíveis nove anos.

O Antes e o Hoje.

Antes era pressa, era vontade, era querer, era estar.

Hoje é demora, relaxo, desapego e inconstância.

Antes era assunto, olho no olho,boca na boca e corpo na alma.

Hoje é tédio, olhos ao horizonte, boca amarga e repugnância.

Antes era nós, nossa cama, um violão,  vinho e um disco do Cash.

Hoje sou eu, meu sofá, meus livros, um chá de erva-cidreira e o chiado da tv.

Antes era riso, cócegas, guerra de travesseiro e beijos para curar

Hoje é choro, dor, guerra de sentimentos e lágrimas.

Antes futuro, casa, cachorros, e uma criança que tivesse  sua personalidade.

Hoje é o agora, sem estrutura, sem alegrias e sem planos.

Antes era amor, hoje é algo que eu gostaria que não fosse

Fim do romance Rockstar.

Estávamos em um destes cafés com ar inglês em que sempre costumávamos ir desde o início do nosso relacionamento. Mas agora era diferente. O café era o mesmo, as mesas dispostas nos lugares de costume, também, as luzes estavam no mesmo lugar, o dono era aquele senhorzinho de bigode engraçado que sempre apelidávamos de “Salvador Dali”, o que mudou foi o clima entre nós. Lá fora fazia frio e dentro mais ainda. A culpa não era do ar condicionado super moderno, que pseudo-Dali  acabara de adquirir, o frio vinha de nós, mais precisamente, de você.

No Jukebox antigo, alguém depositou algumas moedas e uma música com uma melodia harmônica, com guitarras elétricas e barulho de pratos começou a tocar. A letra dizia “She loves you, yeah, yeah, yeah”. Você sacou a banda, olhou para mim, deu aquele sorriso amarelo e voltou à atenção para o seu maldito celular. Afinal, já dançamos muito ao som desta música do Beatles nos salões de rock, onde bancávamos Johnny Cash e June Carter e todos abriam a roda para nosso show.

Estes tempos eram bons. Após rodopiar, cair e beber uma dose a mais de tequila, sempre seguíamos para seu apartamento ou para o meu, e quem sabe para um motel barato mais próximo, mas que correspondesse com nossos desejos, que naquelas horas eram o de apenas ficarmos juntos.

Fiquei perdida entre as memórias enquanto no Jukebox a música ainda ecoava. Você começou a chamar meu nome e eu demorei alguns segundos para corresponder. Perguntou-me se eu ainda ficaria mais algum tempo no ambiente ou aceitaria sua carona até o metrô, pois, precisava voltar para o escritório e resolver algumas pendências na área da contabilidade, a qual eu não entendo bolufas.

Assenti com a cabeça e você me correspondeu com um beijo seco entre o lábio superior e uma parte do meu nariz, que se alguém cronometrasse não daria mais de 0,5 centésimos de segundo. Olhei de uma forma desacreditada e engoli seco aquele beijo misturado com uma vontade de chorar. Não chorei, seria demais para mim, para você, para nós.

Voltei os olhos para meu café que nesta altura já estava se equiparando ao gelo do seu beijo. Você proferiu mais algumas palavras como “Vou deixar dinheiro no caixa, não se preocupe, ligo à noite”, eu nada disse. Apenas olhei para aqueles olhos castanhos escuros que naquele momento pareciam ter se personificado em dois monstros que me comiam sem ao menos me mastigar.

Curvei os meus para que a dor não fosse tão intensa e você se foi. A sua saída daquele ambiente seguiu com a mesma música que nesta hora, para a sua pessoa, não fazia mais importância se “She loves you and you know that can’t be bad”.

Eu continuei mais alguns instantes, enquanto no Juke começava a tocar outra música dos britânicos, mas agora, ela se encaixava em mim e não em você. Eu pensei no ontem já que hoje “All my troubles seemed so far away  now it looks as though they’re here to stay”. Levantei-me e segui até a estação de metrô mais próxima, sabendo muito bem que dificilmente seríamos tão imbatíveis e apaixonados como Yoko Ono  e John Lennon.